Aprendizagem criativa: ruptura da forma de ensino tradicional

aprendizagem criativa

Há alguns textos tenho debatido por aqui a necessidade de mudança do ensino tradicional para se alcançar resultados mais maduros com a educação. A ideia não é somente trazer para sala de aula elementos de tecnologia, mas que eles sejam ferramentas de apoio para uma nova forma de ensino.

É preciso entender que isso não é assunto do futuro, mas do agora. A educação precisa integrar cada dia mais tecnologia, arte, criatividade e preparar as pessoas para serem solucionadores de questões importantes.

Colocar o aluno como protagonista do ensino é uma mudança que gera ótimos resultados e que facilita a compreensão do ensino e o desenvolvimento de competências e habilidades. Já apresentei aqui de diferentes metodologias ativas de ensino e hoje vamos conhecer a aprendizagem criativa, mais uma das iniciativas para construção do caminho de uma nova forma de educação.

O conceito de aprendizagem criativa foi proposto pelo professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Masssachusetts), Mitchel Resnick ele tem como base o construcionismo que foi proposto pelo também educador Seymour Papert, que bebeu da fonte de grandes nomes da educação como Paulo Freire, Piaget, Maria Montessori, entre outros.

A ideia da aprendizagem criativa é defender a aprendizagem como resultado de um processo de exploração. Na verdade, o grupo de pesquisa dirigido por Mitchel Resnick inspirou-se na trajetória de Froebel, criador do jardim de infância para embasar seus argumentos.

Segundo o pedagogo Friedrich Froebel a fase do jardim de infância é definitiva quando pensamos na formação dos seres humanos, e por isso, merece atenção especial. E quando comparamos o jardim de infância com o restante da trajetória escolar, observamos muitas diferenças.

A maioria dos sistemas de ensino hoje vigentes segue o modelo de transmissão de ensino. Já no jardim de infância toda a forma de aprendizado é trabalhado por meio de uma exploração da conduta ativa da criança. No jardim de infância ela interage para se conectar com o mundo, através de propostas divertidas, dinâmicas e envolventes.

O grupo de pesquisa de Mitchel Resnick defende que essa forma de aprendizagem não deve ser abandonada, pelo contrário, o estilo do jardim de infância tem que continuar na trajetória de ensino, independentemente da fase escolar. É o que é preciso para que pessoas de diferentes idades consigam desenvolver suas habilidades, todas essas essenciais para conseguir prosperar em uma sociedade de mudança contínua.

Baseado nessas ideias a aprendizagem criativa trabalha no caminho de que a exploração é a o norte. O processo de ensino parte da Espiral da Aprendizagem Criativa, que consiste em 4 diferentes momentos, são eles: Imagine, Crie, Brinque, Compartilhe e Reflita, cada uma dessas fases traz um nível diferente de compreensão. Vamos explorar um pouco mais sobre essas etapas.

4 princípios da aprendizagem criativa

Para entender mais o caminho que percorre a aprendizagem criativa é preciso conhecer os 4Ps que orientam essa forma de educação.

Projetos: o primeiro p que se refere a projetos determina que trabalhar por meio deles, permite aos alunos se envolverem em diferentes áreas do conhecimento e interesse. Desta forma diferentes habilidades são desenvolvidas e novas técnicas também.

Paixão: Como nome diz é preciso trabalhar em algo que se tenha paixão, poder ter espaço em áreas de seu próprio interesse, isso incentiva as pessoas a quererem se dedicar mais aos seus projetos e no ensino não é diferente. Ter a paixão no processo de aprendizagem faz com que os alunos cada vez mais se aprimorem durante o processo, e descubram até mesmo novas paixões.

Pares: O terceiro p da aprendizagem criativa trabalha a ideia de exercer de formas variadas o trabalho em pares. Seja por meio da construção do conhecimento em si, a troca de opiniões e experiências ou compartilhando os resultados do trabalho feito e recebendo feedbacks. Todo esse movimento em conjunto resulta em mais aprendizado e também torna o projeto mais interessante.

Pensar brincando: Quer coisa mais atrativa do que poder brincar e aprender? O último p da aprendizagem criativa se refere ao ambiente de construção do conhecimento, que precisa ser envolvente, permitindo aos alunos aprenderem por meio de descobertas, explorando, errando e aprendendo.

Todo esse cenário dinâmico e lúdico permite que aprendizagem criativa foque no presente, mas acerte no futuro. É uma maneira de ensinar que permite durante toda a prática o aluno tenha a oportunidade de interagir, proporcionando vários benefícios.

Nesta forma de aprender o aluno estimula e desenvolve habilidades e competências, tem autonomia no aprendizado, uma vez que ele é o protagonista das descobertas, tem liberdade de se expressar e de pensar, desenvolvendo assim também sua criatividade, além do ambiente agradável a atraente.

Papel do educador na aprendizagem criativa

No Brasil os professores em sua grande maioria ainda estão engatinhando na aprendizagem criativa e em metodologias ativas de ensino. Isso porque as escolas ainda trabalham com métodos tradicionais de um modelo que já faz parte do passado.

Para que a aprendizagem criativa ganhe espaço o desafio é conectar diretoria, coordenação e docentes a esta metodologia. Todos precisam entender que são mediadores do autodesenvolvimento, e que os alunos são agora corresponsáveis pelo próprio processo de aprendizagem.

A aprendizagem criativa possibilita também ao professor liberdade para criar e ensinar, afinal tudo que falamos anteriormente não segue um manual de instruções e passo a passo. Os professores vão estimular seus alunos e à medida que vão desenvolvendo o aprendizado, conseguem direcionar seus esforços.

Vale lembrar que ainda que os alunos sejam protagonistas nessa forma de ensino, é o professor que transmite a segurança necessária e com quem vão passar a maior parte do tempo, portanto, cabe a figura dele encorajar, trazer meios para trabalhar os medos, desafios e barreiras.

As aulas são dinâmicas nessa metodologia, a ideia de ir com aulas preparadas pode nem sempre conseguir ir adiante, pois como o processo aqui é ativo, tudo pode mudar no caminho da aula, o que é extremamente enriquecedor não só para o aluno, mas para o professor que tem que se reinventar constantemente, mas também pode trabalhar com mais liberdade em sala de aula.

Aqui no Brasil já existe uma iniciativa incrível de apoio e incentivo a aprendizagem criativa. Um movimento chamado Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, une além de educadores, artistas, pais, pesquisadores, empreendedores, estudantes e organizações que além de apoiar, ajudam a promover essa prática educacional.

Caso você queira se aprofundar ainda mais no conhecimento da aprendizagem criativa e no pensamento de Mitchel, uma dica de leitura é seu livro Jardim de Infância para a Vida Toda: Por uma Aprendizagem Criativa, Mão na Massa e Relevante para Todos.

A ideia ainda pode estar começando por aqui, mas o conhecimento da prática, o debate das ideias se faz necessário para que consigamos cada vez mais alcançar diferentes lugares com uma forma de educação inovadora e efetiva.

Você já usa aprendizagem criativa na sala de aula? Compartilhe sua experiência! 

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