Lean education: entenda como a metodologia aplicada a indústria e ambientes corporativos migrou para educação e saiba seus benefícios 

O termo não é novo, mas ainda pouco conhecido no universo da educação. A metodologia Lean surgiu nos anos 80 como um conjunto de conceitos aplicados na gestão japonesa que definiram o sistema de produção da empresa Toyota. A tradução seria algo como pensamento “enxuto”, onde o principal objetivo era otimizar os processos produtivos, tornando uma produção mais eficiente, eliminando desperdícios e agregando valor a empresa.

O termo lean manufacture desde então foi ganhando espaço, e também sendo aplicado a diferentes cenários, como por exemplo, os ambientes corporativos. No ano de 2011 no livro chamado A Startup Enxuta (Lean Startup), Eric Ries aplicou as teorias aos ambientes disruptivos das startups, ajudando no desenvolvimento de produtos e validação dos modelos de negócio de forma mais rápida e eficaz.

Com a evolução e validação do conceito em diferentes áreas, não demorou para que a metodologia também fosse aplicada na educação, quando combinada a outro conceito inovador o design thinking que já conversamos por aqui, surgia então a Lean Education Technology.

Assim como nas outras áreas que foi utilizada, a metodologia na área da educação melhora e otimiza os processos de ensino, além de inúmeras vantagens imediatas e ao longo prazo. Essa forma de pensar estimula os colaboradores a analisarem tudo que está sendo feito e propor melhorias, e essas medidas impactam na forma de aprendizado dos alunos.

O conceito é inovador e se adapta muito a nova realidade onde alunas e alunos estão vivendo diante de constantes mudanças tecnológicas, e o lean education é ideal para encaixar nesses diferentes cenários, promover a criatividade, o foco na resolução de problemas e desenvolver também o raciocínio lógico. Quer saber como implementar essa metodologia em sua aula, escola, faculdade ou universidade? Vamos ao passo a passo.

Como implementar o lean education

1.Especificação do valor desejado – Valor aqui não se refere apenas ao dinheiro, mas também os valores que você deseja que sejam passados aos alunos, isto é, valores que sejam o da disciplina ou da instituição de ensino. Por isso nessa etapa é hora de pensar uma proposta pedagógica eficiente e que esteja adequada ao que o estudante e seus familiares buscam.

2. Identificar o fluxo gasto para cada serviço – Como já falamos o lean tem como definição a metodologia enxuta, isto é, gastar menos tempo, dinheiro e recursos. No segundo passo é o momento de alinhar com a equipe quais são os principais gargalos da escola e juntos mapearem o que garante o sucesso da instituição.

3. Fluxo contínuo – Depois de identificar os pontos a serem melhorados, é hora de colocar em prática as ideias para consertá-los. Os pontos fortes e fracos já foram mapeados e a equipe já está preparada para solucionar os problemas.

4. Certificação e sentido – Agora com estratégias alinhadas é hora de revisar cada uma delas e testes podem ser feitos para garantir a efetividade das soluções propostas. Caso no caminho alguma das ideias não seja tão boa quanto pensado, busque alternativas para solucionar eventuais problemas.

5. Monitore tempo e informações – Tudo nos trilhos e correto, mas nem por isso o trabalho acabou. É preciso fazer testes definitivos e monitorar tempo e recursos gastos em cada etapa do ensino e da gestão e comparar com os resultados que tinham anteriormente. A metodologia lean education propõe a constante melhoria de processos, portanto essa é uma etapa que será repetida várias vezes.

6. Ajuda especializada – Por último sempre busque ajuda especializada no assunto. Ao implementar melhoria em determinada área ou processo, encontre quem mais tem conhecimento sobre o assunto e peça ajuda para implementação das ideias pensadas.

A metodologia lean education é muito mais uma forma de implementar melhorias na gestão, portanto, você vai conseguir perceber a valorização da equipe, facilitar os processos, melhoria de clima organizacional, agilidade nas tarefas feitas, menos desperdícios e fortalecimento da proposta pedagógica da escola.

Mas apesar do foco ser a melhoria da gestão do ensino, isso impacta diretamente nos alunos que vão ter um ensino mais ágil e com valores e objetivos mais alinhados ao que precisam para prepará-los para um mundo moderno. Compartilhe nos comentários, você já ouviu falar dessa metodologia?

Acredita que ela pode ser parceira na hora de planejar as diretrizes da escola?

Como aplicar o Design Thinking na educação

O termo já é muito conhecido do ambiente empresarial, mas tem ganhado espaço na área da educação como uma forma inovadora de criar, estruturar e validar ideias na sala de aula. Conheça mais sobre o design thinking na e entenda como aplicá-la pode trazer benefícios.

Muitos falam que o design thinking é uma metodologia, mas na verdade ele é mais uma forma de conduzir e chegar a solução de um determinado problema. Ele é uma evolução da teoria de Design, criada na década de 1960. Comparada a cursos como medicina, matemática e até mesmo filosofia, o design é uma área relativamente nova.

Nos anos 1990, ainda nos primeiros passos de design desenvolvidos, culminaram na criação da IDEO, uma empresa de design, consultoria em inovação, fundada em Palo Alto na Califórnia, mas que atualmente tem escritórios por diversas partes do mundo como Londres, Munique, Xangai, Singapura, Tóquio. E você deve estar se perguntando o que o surgimento da IDEO tem a ver com design thinking? Vamos a resposta.

O design thinking surgiu dentro da IDEO e foi criado por um dos fundadores da agência, David Kelley. Com o tempo o termo ganhou espaço e popularidade, pois os fundadores da IDEO, acreditavam que qualquer profissional poderia usar o design thinking na resolução de problemas complexos. E assim a abordagem ganhou adeptos em diversas empresas e agora também o design thinking na educação vai conquistando seu espaço.

Fases do design thinking na educação

A abordagem design thinking possui basicamente quatro fases, são elas: imersão, análise e síntese, ideação e prototipação. Cada etapa tem sua importância e deve ser trabalhada com ferramentas específicas que ajudarão o sucesso de todo processo.

1.Imersão – Neste momento é hora de trilhar dois caminhos, a preliminar e a em profundidade. A imersão preliminar é aquela que permite ter um entendimento superficial acerca da situação.

Já a imersão em profundidade é a que irá tornar a percepção mais intensa. O objetivo é entender o que as pessoas falam, agem, pensam e como se sentem. É a hora de mapear as necessidades mais urgentes. Aqui também pode-se usar o mapa de empatia, tornando possível aprofundar as motivações observando as emoções, pontos de vista, reações e ações de um novo ângulo.

2. Análise e síntese – Após conseguir os dados na imersão é hora da análise para buscar ideias criativas e identificar caminhos alternativos viáveis para compreender o problema colocado. Uma das técnicas é a criação de personas, que trabalha com o princípio de um modelo ideal de cliente. Assim como no mapa de empatia e na jornada de usuário existe a oportunidade de entender como o público caminha até conhecer o serviço. Para o design thinking na educação é hora de especificar a origem do problema em questão e definir qual será a oportunidade a ser trabalhada. Essa etapa trabalha processos reflexivos e criativos e consequentemente, melhora a compreensão de como um desafio pode ser direcionado para criar soluções.

3. Ideação – Uma vez que o problema que norteia o grupo já foi encontrado, a fase de ideação tem o objetivo de gerar ideias inovadoras para solucionar a dificuldade. Para encontrar essa solução é preciso trabalhar em cima dos dados coletados anteriormente nas etapas 1 e 2. É essencial criar um ambiente seguro, não julgar ou analisar as ideias do grupo, elas precisam fluir, nessa fase é preciso colocar no papel de forma mais específica possível.

4.Prototipação – A fase da prototipação é a final e ajuda a validar todas as ideias que surgiram nas etapas anteriores, é hora de visualizar a solução pensada. Escolher a forma mais adequada para colocar a solução em prática. Após a apresentação da prototipação dos alunos é interessante fazer um debate de como foi esse processo 

Benefícios da abordagem

Como esta forma de resolver problemas foca na coletividade e na percepção das pessoas sobre um determinado problema ou assunto, nada melhor do que usar o design thinking na educação para tornar o ensino mais atrativo.

Além disso, o design thinking é uma abordagem que foca no ser humano, conectando as necessidades dos estudantes, sendo transformador para eles e para os professores. Sem contar o aprimoramento da comunidade escolar, o constante trabalho na cultura da inovação, e a possibilidade de novas vivências e reflexão.

Por todos esses motivos usar essa ferramenta tem bastante potencial como aliada na área da educação. Comente suas percepções sobre o tema e experiências caso já tenha usado em sala de aula. Conheça também a aprendizagem baseada em projetos.

Conheça o método de aprendizagem jigsaw

Hoje você vai conhecer mais uma maneira de promover metodologia de ensino ativa, vamos conversar sobre o conceito de jigsaw. Entenda como essa forma de ensinar promove a inteligência coletiva e aprendizagem colaborativa.

Para começar vale a pena entender como essa metodologia surgiu, pois seu cenário histórico coloca em perspectiva aspectos importantes que ainda hoje precisam ser trabalhados e promovidos nas salas de aula.

O ano era 1971 em Austin no Texas e o professor Elliot Aronson junto aos seus alunos inventaram uma nova estratégia para que o processo de aprendizagem acontecesse de forma mais fluida.

Na época em questão, as escolas da cidade estavam passando por um processo dessegregação, Austin era um lugar onde brancos, pretos e hispânicos eram separados na hora de aprender, esse movimento em que todos estavam na mesma sala de aula, acabou deixando a situação delicada e método jigsaw tentou apaziguar a situação.

A forma de aprendizagem jigsaw remete aos jogos de quebra-cabeça, e por isso recebe este nome. O conceito tem se mostrado bastante efetivo para promoção da aprendizagem colaborativa em grupos. Mas apesar de ser divido em grupos, o método vai além de um simples trabalho em grupo, que comumente acontece nas salas de aulas e conta com peculiaridades que ajudam no desenvolvimento de conhecimento de forma diferente.

Nessa metodologia de ensino o aprendizado cooperativo acontece por meio da divisão de grupos que vão trabalhar um ajudando o outro conforme vão se reorganizando em diferentes momentos da atividade. Com o reagrupamento é então partilhado o que foi aprendido e assim, acontece a construção do conhecimento.

A atividade pode acontecer inteiramente na sala de aula ou previamente a ela, tudo vai depender da dinâmica do professor e do tempo disponível.

Colocando em prática o método jigsaw em 10 passos

Entenda como começar uma atividade usando essa metodologia ativa de ensino e o que fazer em cada passo. Você vai ver como é simples implementar essa ideia na sala de aula.

  1. Divida os alunos em grupos, de 5 a 6 pessoas. Esses grupos devem ser diversos em todos aspectos: habilidades, etnias e gênero.

  2. Nomeie um aluno de cada grupo como o líder, preferencialmente e inicialmente o mais maduro ou que demonstre mais essa habilidade.

  3. Faça a divisão da tarefa em 5, 6 segmentos, por exemplo, se um personagem importante da história será estudado, uma parte pode ser sua infância, outra a consolidação da sua carreira, a terceira um fato que agregou para a sociedade, e assim vá definindo em partes sobre o mesmo conteúdo a ser trabalhado.

  4. Após a divisão em partes, designe cada aluno para aprender uma delas. E este deve ter acesso apenas a parte a que foi designada.

  5. Não é preciso memorizar, decorar, mas cada aluno deve ter um tempo suficiente para ler sobre sua parte e se familiarizar com ela.

  6. No passo seis você deve formar “grupo de especialistas” temporários, desta forma cada aluno do grupo do quebra-cabeças, se junte a outro aluno atribuído a mesma parte que foi designada durante a divisão. É importante que o grupo tenha tempo para debater o assunto e preparar sua apresentação para seu grupo de origem.

  7. Momento de trazer de volta os alunos aos seus grupos de origem.

  8. Hora de pedir para cada aluno apresentar sua parte estudada e debatida ao grupo, é o momento de incentivar também que sejam feitas perguntas para esclarecimento total da questão trabalhada.

  9. Na etapa nove é a vez do professor circular entre os grupos e observar o processo de aprendizagem acontecendo. Se algum deles estiver tendo problemas, faça uma intervenção sutil para que o líder conduza melhor este momento.

  10. Para finalizar a sessão de aprendizado você pode fazer um questionário sobre o conteúdo trabalhado, por exemplo, ou o que achar mais pertinente, mas sempre finalize no coletivo. Os alunos vão perceber como podem ser divertidos esses momentos de aprender e entender que realmente são impactados com essa forma de ensinar.

Aparentemente simples o método jigsaw além do dinamismo na hora de aprender, traz inúmeros outros benefícios, como a redução de conflitos, melhor desempenho dos alunos, maior gosto por ir à escola, e o entendimento de que cada aluno é importante, cada parte é essencial para a conclusão, e que o aprendizado só chega a conclusão total com a contribuição de cada um.

Além disso, este conceito trabalha também a autonomia dos alunos, uma vez que cada uma das partes precisa pesquisar e entender o que foi passado para ensinar o colega. O jigsaw trabalha muito a comunicação e as relações interpessoais.

Você já conhecia ou já usou o método jigsaw? Compartilhe sua experiência nos comentários. Conheça também a aprendizagem baseada em projetos.