Conheça a Challenge Based Learning uma abordagem inovadora na educação

A forma de ensino tradicional está cada vez mais em dissonância com o que vivemos. O grande desafio da educação tem sido trazer para sala de aula toda evolução e inovação presente no mundo fora dela. A implementação da tecnologia é um dos pontos que sempre vemos por aqui, mas além disso, a questão é fazer com que o aluno consiga se desenvolver à medida que desenvolve soluções para questões complexas do seu cotidiano. As metodologias ativas de ensino propõem justamente isso.  

Já vimos por aqui diversas ferramentas e metodologias de ensino que vão por este caminho, como project based learning, método jigsaw e até mesmo ferramentas do mundo corporativo que ganharam espaço nas salas de aula, é o caso do design thinking, por exemplo. E hoje vamos conhecer mais uma alternativa promissora para educação: o Challenge Based Learning (CBL) ou em português aprendizagem baseada em desafios

Para entender o seu surgimento, vamos voltar um pouquinho na história. Entre 1985 e 1995 surgiu o projeto Apple Classrooms of Tomorrow, que tinha o objetivo de integrar a tecnologia ao processo de ensino, inclusive na época a Apple deu suporte tecnológico para as escolas da Califórnia, estudou benefícios do mundo digital para o desenvolvimento dos alunos e ainda conduziu experimentos na área de gamificação. 

Este projeto evoluiu e por volta dos anos 2000, surgiu o ACOT2 que queria entender as necessidades do ensino médio nos Estados Unidos. Além disso, o projeto também tinha o objetivo de auxiliar as escolas a criarem um ambiente de aprendizagem ideal, atendendo o que os estudantes precisavam e esperavam, e com isso consequentemente diminuir a evasão escolar. 

O Challenge Based Learning (CBL) é parte deste projeto colaborativo com foco no aprendizado do século 21.  A empresa Apple enxergou no ensino o caminho necessário para preparar pessoas para viver em uma sociedade com mudanças constantes, e por isso preocupou-se no desenvolvimento de metodologias pedagógicas para serem replicadas nas escolas. 

A abordagem do CBL é interdisciplinar e estimula os alunos a desenvolverem soluções para problemas reais com apoio de tecnologias. Assim como outras metodologias, para implementação da aprendizagem baseada em desafios é preciso seguir fases interconectadas. Abaixo vamos explorar mais cada uma delas. 

Fases do Challenge Based Learning 

Para colocar em prática o CBL, primeiro surge uma grande ideia, que posteriormente irá de desenvolver para uma questão essencial, um desafio, questões norteadoras, atividades, recursos, tudo isso conectado para chegar a uma solução e depois a implementação desta e avaliação dos resultados. Claro que todo esse processo acontece por partes e aqui vão três fases que não podem faltar:

Fase 1 – Engajar 

Nesta fase é o momento de conduzir o processo de perguntas essenciais, onde os alunos irão transformar uma grande ideia abstrata em um desafio real. O conceito de grandes ideias são de que, os temas que serão explorados precisam poder percorrer diferentes formas e serem relevantes aos alunos e a comunidade onde eles vivem, por exemplo, a questão da saúde, alimentação, meio ambiente. 

Aqui é o momento do processo de aprendizagem onde o aluno irá além de questionar sobre um determinado tema, contextualizar e personalizar a ideia. Ao final chegará em uma questão considerada essencial e relevante. Relevância esta para o aluno como indivíduo e para o grupo. Este percurso irá levar o estudante para a ação, uma vez que os participantes do desafio precisarão desenvolver uma solução, que devem ser imediatas e possíveis de realizar. 

Fase 2 – Investigar 

Decidido a questão essencial, os alunos irão planejar e participar de uma jornada que irá construir fundamentos para as soluções na fase dois. Essas soluções vão preencher os requisitos acadêmicos necessários. 

De que forma? Priorizando e criando categorias para que as questões continuem a ser uma experiência de imersão. É preciso criar questões guias, que darão a direção ao conhecimento que será necessário buscar para desenvolver a solução do desafio. 

Fase 3 – Agir 

Como o nome da fase diz, é hora de colocar a mão na massa na aprendizagem baseada em desafios. Na fase anterior surgiram as soluções, nesta etapa o aluno pode prototipar, testar, lapidar a solução e aí sim implementá-la. 

Para implementar a solução é preciso levar em conta a idade dos alunos, a quantidade de tempo e recurso, isso vai nortear o como o desafio será implementado. 

Após feita a implementação, ainda há uma última parte do CBL após o agir, que é a avaliação. Nela os alunos terão a oportunidade de entender o quanto a solução deles foi efetiva, fazer os ajustes necessários, debater sobre o tema e sair com ainda mais conhecimento sobre a questão trabalhada. 

Lembrando que um dos pilares do Challenge Based Learning é trazer o desafio relacionado a realidade do aluno, e que ele sinta durante o aprendizado, que a solução da questão levantada impacte na sua vida. 

Algumas sugestões de temas relevantes são a água, daí podem surgir questões como a consumimos, o desafio, por exemplo, melhorar o a forma do consumo da água na comunidade ou em casa. Comida é outro caminho bastante abrangente, onde podemos entender o que comemos, como isso impacta o mundo, e o desafio talvez implementar maneiras de se alimentar melhor, energia, ar, sustentabilidade, a lista é longa e possibilita um aprendizado bastante abrangente.  

Uma vez que o tema é definido e as questões que serão trabalhadas também, é possível aprofundar o conhecimento em diversas áreas, como biologia, história, matemática, e tantas outras. Correlacioná-las faz parte da metodologia CBL. Não se esqueça também de sempre que possível atrela a tecnologia como aliada durante o processo, afinal além de ajudar no aprendizado, ela faz parte de nossas vidas e não pode ficar de fora.  

Caso você queira se aprofundar ainda mais no Challenge Based Learning você pode conferir o o CBL Guide, vale a leitura!

Aprendizagem criativa: ruptura da forma de ensino tradicional

Há alguns textos tenho debatido por aqui a necessidade de mudança do ensino tradicional para se alcançar resultados mais maduros com a educação. A ideia não é somente trazer para sala de aula elementos de tecnologia, mas que eles sejam ferramentas de apoio para uma nova forma de ensino.

É preciso entender que isso não é assunto do futuro, mas do agora. A educação precisa integrar cada dia mais tecnologia, arte, criatividade e preparar as pessoas para serem solucionadores de questões importantes.

Colocar o aluno como protagonista do ensino é uma mudança que gera ótimos resultados e que facilita a compreensão do ensino e o desenvolvimento de competências e habilidades. Já apresentei aqui de diferentes metodologias ativas de ensino e hoje vamos conhecer a aprendizagem criativa, mais uma das iniciativas para construção do caminho de uma nova forma de educação.

O conceito de aprendizagem criativa foi proposto pelo professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Masssachusetts), Mitchel Resnick ele tem como base o construcionismo que foi proposto pelo também educador Seymour Papert, que bebeu da fonte de grandes nomes da educação como Paulo Freire, Piaget, Maria Montessori, entre outros.

A ideia da aprendizagem criativa é defender a aprendizagem como resultado de um processo de exploração. Na verdade, o grupo de pesquisa dirigido por Mitchel Resnick inspirou-se na trajetória de Froebel, criador do jardim de infância para embasar seus argumentos.

Segundo o pedagogo Friedrich Froebel a fase do jardim de infância é definitiva quando pensamos na formação dos seres humanos, e por isso, merece atenção especial. E quando comparamos o jardim de infância com o restante da trajetória escolar, observamos muitas diferenças.

A maioria dos sistemas de ensino hoje vigentes segue o modelo de transmissão de ensino. Já no jardim de infância toda a forma de aprendizado é trabalhado por meio de uma exploração da conduta ativa da criança. No jardim de infância ela interage para se conectar com o mundo, através de propostas divertidas, dinâmicas e envolventes.

O grupo de pesquisa de Mitchel Resnick defende que essa forma de aprendizagem não deve ser abandonada, pelo contrário, o estilo do jardim de infância tem que continuar na trajetória de ensino, independentemente da fase escolar. É o que é preciso para que pessoas de diferentes idades consigam desenvolver suas habilidades, todas essas essenciais para conseguir prosperar em uma sociedade de mudança contínua.

Baseado nessas ideias a aprendizagem criativa trabalha no caminho de que a exploração é a o norte. O processo de ensino parte da Espiral da Aprendizagem Criativa, que consiste em 4 diferentes momentos, são eles: Imagine, Crie, Brinque, Compartilhe e Reflita, cada uma dessas fases traz um nível diferente de compreensão. Vamos explorar um pouco mais sobre essas etapas.

4 princípios da aprendizagem criativa

Para entender mais o caminho que percorre a aprendizagem criativa é preciso conhecer os 4Ps que orientam essa forma de educação.

Projetos: o primeiro p que se refere a projetos determina que trabalhar por meio deles, permite aos alunos se envolverem em diferentes áreas do conhecimento e interesse. Desta forma diferentes habilidades são desenvolvidas e novas técnicas também.

Paixão: Como nome diz é preciso trabalhar em algo que se tenha paixão, poder ter espaço em áreas de seu próprio interesse, isso incentiva as pessoas a quererem se dedicar mais aos seus projetos e no ensino não é diferente. Ter a paixão no processo de aprendizagem faz com que os alunos cada vez mais se aprimorem durante o processo, e descubram até mesmo novas paixões.

Pares: O terceiro p da aprendizagem criativa trabalha a ideia de exercer de formas variadas o trabalho em pares. Seja por meio da construção do conhecimento em si, a troca de opiniões e experiências ou compartilhando os resultados do trabalho feito e recebendo feedbacks. Todo esse movimento em conjunto resulta em mais aprendizado e também torna o projeto mais interessante.

Pensar brincando: Quer coisa mais atrativa do que poder brincar e aprender? O último p da aprendizagem criativa se refere ao ambiente de construção do conhecimento, que precisa ser envolvente, permitindo aos alunos aprenderem por meio de descobertas, explorando, errando e aprendendo.

Todo esse cenário dinâmico e lúdico permite que aprendizagem criativa foque no presente, mas acerte no futuro. É uma maneira de ensinar que permite durante toda a prática o aluno tenha a oportunidade de interagir, proporcionando vários benefícios.

Nesta forma de aprender o aluno estimula e desenvolve habilidades e competências, tem autonomia no aprendizado, uma vez que ele é o protagonista das descobertas, tem liberdade de se expressar e de pensar, desenvolvendo assim também sua criatividade, além do ambiente agradável a atraente.

Papel do educador na aprendizagem criativa

No Brasil os professores em sua grande maioria ainda estão engatinhando na aprendizagem criativa e em metodologias ativas de ensino. Isso porque as escolas ainda trabalham com métodos tradicionais de um modelo que já faz parte do passado.

Para que a aprendizagem criativa ganhe espaço o desafio é conectar diretoria, coordenação e docentes a esta metodologia. Todos precisam entender que são mediadores do autodesenvolvimento, e que os alunos são agora corresponsáveis pelo próprio processo de aprendizagem.

A aprendizagem criativa possibilita também ao professor liberdade para criar e ensinar, afinal tudo que falamos anteriormente não segue um manual de instruções e passo a passo. Os professores vão estimular seus alunos e à medida que vão desenvolvendo o aprendizado, conseguem direcionar seus esforços.

Vale lembrar que ainda que os alunos sejam protagonistas nessa forma de ensino, é o professor que transmite a segurança necessária e com quem vão passar a maior parte do tempo, portanto, cabe a figura dele encorajar, trazer meios para trabalhar os medos, desafios e barreiras.

As aulas são dinâmicas nessa metodologia, a ideia de ir com aulas preparadas pode nem sempre conseguir ir adiante, pois como o processo aqui é ativo, tudo pode mudar no caminho da aula, o que é extremamente enriquecedor não só para o aluno, mas para o professor que tem que se reinventar constantemente, mas também pode trabalhar com mais liberdade em sala de aula.

Aqui no Brasil já existe uma iniciativa incrível de apoio e incentivo a aprendizagem criativa. Um movimento chamado Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, une além de educadores, artistas, pais, pesquisadores, empreendedores, estudantes e organizações que além de apoiar, ajudam a promover essa prática educacional.

Caso você queira se aprofundar ainda mais no conhecimento da aprendizagem criativa e no pensamento de Mitchel, uma dica de leitura é seu livro Jardim de Infância para a Vida Toda: Por uma Aprendizagem Criativa, Mão na Massa e Relevante para Todos.

A ideia ainda pode estar começando por aqui, mas o conhecimento da prática, o debate das ideias se faz necessário para que consigamos cada vez mais alcançar diferentes lugares com uma forma de educação inovadora e efetiva.

Você já usa aprendizagem criativa na sala de aula? Compartilhe sua experiência! 

Conheça as edtechs e seu potencial, entenda como esse setor vem ganhando espaço no mercado

Você já ouviu falar em startups provavelmente, mas e edtechs? O termo pode não ser tão comum aos seus ouvidos, embora, provavelmente se você trabalha com educação, já deve ter se deparado com alguma das soluções propostas por esse nicho. Nosso bate papo de hoje vai apresentar o que significa este conceito, o potencial dessa área e os benefícios que este setor pode proporcionar a educação.  

Segundo a Associação Brasileira de Startups, edtechs são startups que usam alguma forma de tecnologia como elemento facilitador de processos de aprendizagem e aprimoramento dos sistemas educacionais.

Esta mesma Associação publicou no ano passado a 3ª edição do Mapeamento de Edtechs documento relevante, que trouxe uma fotografia de como está o cenário das tecnologias educacionais brasileiras.

Os números são animadores, de acordo com este estudo, as edtechs representam hoje o maior segmento entre startups no Brasil, com 17,3%. A maioria das 566 empresas mapeadas estão na região sudeste (58,7%), desse número 37,8% das edtechs estão em São Paulo.

Além desses números positivos, é possível enxergar um futuro público também para as edtechs, já que das startups mapeadas, 12,9% declararam que já venderam/ofereceram suas soluções a órgãos públicos. Outro relatório o EdTechXGlobal mostra que as edtechs têm crescido em nível mundial, 17% ao ano.

E o porquê desse crescimento vai ao encontro de outros bate-papos que já tivemos por aqui. A maneira de ensinar vem mudando, metodologias ativas têm cada vez mais aceitação e resultados positivos em sala de aula, tecnologias são aliadas que não podemos mais deixar de contar, e as edtechs vem justamente ajudar a traduzir este mundo de produtos digitais para adaptá-los à educação da melhor maneira possível.

As edtechs de modo geral investem no desenvolvimento de plataformas online, softwares, ferramentas de gamificação, simuladores de realidade virtual, aplicativos, entre outros, e tudo isso são recursos didáticos que facilitam e aproximam o aluno no processo de aprendizagem. 

5 edtechs de sucesso

Descomplica

Surgiu em 2011 é uma edtech que tem a mecânica de um cursinho pré-vestibular online com conteúdo com foco no Enem. Funciona da seguinte forma, o aluno paga a assinatura e tem acessos a aulas pré-gravadas, ao vivo, monitoria, correção de redações, questionários e simulados. Além disso, a startup também oferece reforço universitário e pós-graduação. No ano de 2017 foi escolhida pelo ranking da revista americana Fast Company como a terceira empresa mais inovadora da América Latina, a primeira do Brasil.

Veduca

Com objetivo de democratizar a educação surgiu em 2012 a edtech Veduca. Os cursos têm valor acessível, a partir e R$29,90 e alguns conteúdos são gratuitos por meio de vídeos no YouTube.

A Veduca atua em parceria com instituições reconhecidas como, empresas e profissionais de mercado.

Quero Educação

Considerada a maior edtech do Brasil, já foi acelerada duas vezes pela Y Combinator, uma das 40 empresas Endeavor Mundo, são certificados pelo Great Place to Work e em 2018 teve o reconhecimento do Fórum Econômico Mundial como uma das 50 startups com mais impacto na América Latina.

A edtech conecta instituições de ensino e alunos por meio de ferramentas como a Quero Pago e Quero Bolsa, um marketplace que ajuda os alunos a encontrar um curso que caiba no bolso.

DreamShaper

Esta edtech criou uma plataforma online de aprendizagem baseada em projetos, que auxilia os alunos a desenvolverem competências socioemocionais e do mercado de trabalho relacionadas com a matéria que aprendem nas salas de aula.

Segundo seu site mais de 500.000 alunos e 1.200 instituições de ensino já foram beneficiadas com a ferramenta, que permite a customização de acordo com o currículo de cada instituição.

4YOU2

Já recebeu prêmios em diversos países, esta edtech brasileira trabalha com a democratização do acesso aos cursos de inglês. Entre sua metodologia há aulas de conversação presencial com professores nativos, pratica de gramática e vocabulário com seu aplicativo próprio.

Com a pandemia ao contrário de vários outros setores, as edtechs conseguiram se adaptar rapidamente as demandas das instituições de ensino aos desafios do isolamento e manutenção das aulas.

De acordo com o Mapeamento de Edtechs, 63,80% das startups deste setor mantiveram ou aumentaram seu faturamento no ano de 2020. Sem contar que 88,8% não precisaram fazer demissões durante esse período crítico e até aumentaram as contratações 40%.

Todos esses números e cases apresentados mostram o quanto as edtechs já estão presentes no dia a dia da educação e que ainda tem um futuro promissor para beneficiar cada vez mais e mais instituições de ensino promovendo inovações na educação.

Você já atuou diretamente com auxílio de alguma edtech? Compartilhe sua opinião sobre este setor nos comentários.