A importância de planejar e testar um game

No processo de desenvolvimento de um jogo digital, planejar como o game irá funcionar é de suma importância.

Mas além de planejar, é fundamental testar o que se está planejando. Mas você só conseguirá testar o game (fruto do seu projeto) se criar os objetivos, as regras, os processos e a premissa dramática para assim criar uma experiência de jogo completa (ou quase).

Se você está trabalhando em um projeto de jogo, pense apenas em uma pessoa: o jogador.  É um conceito extremamente simples e ignorado (muitas vezes) por um motivo mais simples ainda: é fácil se perder nos gráficos, história e outras características do game e se esquecer que o elemento principal que faz um bom jogo é uma jogabilidade sólida com foco no jogador. Afinal, o game é feito para o jogador e não para o projetista do jogo.

Podemos entender por jogabilidade o conjunto de experiências contidas no jogo, a facilidade de como ele pode ser jogado, bem como sua dificuldade. É a habilidade de jogar. O projetista de jogos precisa, necessariamente, ser obcecado por situações lúdicas.  E estas situações lúdicas, dentro do contexto do game, precisam ser envolventes. E até divertidas, se este for o caso.

Portanto, planeje e teste. E os testes podem ser analógicos, antes de serem digitais, como podemos ver abaixo. É mais rápido e fácil. E divirta-se ao projetar. Sem diversão, tudo fica chato demais.

Sessão de jogo: teste de jogabilidade

 

Ebook: Level design, jogabilidade e narrativa para games

Apresentar um livro sobre level design e narratividade para games é uma atividade complexa, pois muitos termos e teorias são tratados do decorrer deste livro. Baixe  o livro aqui.

Posso começar respondendo inicialmente a seguinte questão: o que é level design? Level ou nível em um jogo digital pode ser o mapa do jogo e todos os eventos que vão acontecer no seu interior. Mas não é só isso. Ao compreendermos os modos pelos quais um level design pode ser constituído, encontramos articulações entre puzzles, tasks e quests e no sentido de ampliarmos e criarmos novos desafios. Torna-se então necessário desenharmos, a partir das mecânicas do game, uma maneira de apresentar esses elementos de forma a contribuir para o processo narrativo contextualizando desafios e narrativa ao passo que evoluímos no jogar do jogo.

E por falar em processo narrativo, podemos definir que a narrativa de um game é compostas de eventos, personagens e cenários estruturados de acordo com princípios de temporalidade, causalidade e significância. E qual seu objetivo? Engajar o interlocutor na interpretação das informações e experiência lúdicas interativas.

Narrativa que está presente no ambiente ficcional inserido no game. E podemos nos perguntar: como os jogos digitais projetam ficções e realidades para os jogadores? Você encontrará alguns caminhos neste livro para esta resposta.

E as ficções acompanham a sonoridade nos games. Nesse sentido trataremos também de conceitos que permitem analisar e projetar a sonoridade de forma integrada ao ambiente visual do jogo, tais quais: fases musicais, decupagem dinâmica, escuta navegacional, caracterização sonora ludofuncional e cosmopoiese sonora. Se você não entendeu estes termos, tudo bem. Eles estão explicados no artigo que trata do tema.

Contudo, não podemos esquecer da qualidade da avaliação da interação nos games, que geralmente consideram os critérios de jogabilidade. Entretanto, seus critérios de avaliação também não são muito conhecidos. Nesse sentido discutiremos também aspectos de usabilidade e jogabilidade e de que maneira esses conceitos e seus princípios se relacionam no design e avaliação da experiência com jogos digitais.

Você já parou para pensar que para se jogar é necessário, como em algumas situações de nossa vida pessoal, realizar procedimentos. E o que seriam esses procedimentos? Na vida ou no jogo, a ideia de realizar um procedimento está, na maioria das vezes, atrelada às ações que são determinadas por regras ou um estatuto a ser seguido.

E os procedimentos estão ligados diretamente às experiências estéticas propiciadas pelos jogos digitais, que podem ser representações e imagens que são produzidas para esta forma de comunicação contemporânea, o game.

Tudo isso sem deixar de levar em conta que os games são entidades culturais construídas por meio da interação de linguagens, com os campos da visualidade e da sonoridade como os mais evidentes. Nos games, as linguagens postas em interação se contaminam. Por isso, é preciso também falar em uma hipermidialidade, ou seja, na relação de mútua contaminação de signos, significados e conteúdos, pensada como ativa em todas as direções.

Como se pode ver, este livro passará por diversos temas relacionados à level design e narratividades presente nos jogos digitais. E a produção de um jogo, como fica?

Sob o olhar do desenvolvimento de games, diversas ferramentas possibilitam que o mais inexperiente desenvolvedor possa criar e programar um jogo digital utilizando os recursos já existentes nestes softwares de desenvolvimento. Ao analisar que se todos os produtores de jogos usam as mesmas ferramentas de desenvolvimento, os mesmos softwares de modelagem 3D e quase sempre, as mesmas linguagens de programação, o que diferencia um jogo de outro? Sua concepção criativa, seu roteiro, sua narrativa, seus elementos artísticos e o level design. Este livro também apresenta uma técnica de programação como recurso para auxiliar na construção de narrativas de jogos, na jogabilidade concepção de níveis de jogos (level design) para que estes sejam o mais fiel possível à ideia conceitual e assim preservar (ou mesmo ampliar) o projeto original.

Aproveito para convidar todos os leitores para participarem de um grupo de Facebook para discussão dos temas do livro com os demais leitores. Acesse aqui: http://bit.ly/leveldesign.

Isso é só o começo. Boa leitura, boa viagem e bom divertimento.

E vamos jogar. Para mais informações, veja aqui.

David de Oliveira Lemes / [email protected]

O que se aprende jogando videogame?

Há poucos dias um aluno fez um breve comentário que me fez pensar muito. Estava eu supervisionando a aplicação de uma prova de História para um colega professor, quando, ao entregar a prova, o aluno em questão disse o seguinte: – “Só consegui responder as questões 7 e 8 pois joguei muito Assassin´s Creed”. Pela dinâmica da sala de aula e da aplicação da prova, não tive como perguntar os motivos daquela afirmação, mas aquilo ficou martelando na minha cabeça. Para quem não conhece o jogo, a premissa central de Assassin´s Creed envolve a rivalidade entre duas sociedades secretas: os Assassinos que desejam a paz através do livre arbítrio e os Templários, que têm o mesmo objetivo mas através da ordem. Vamos deixar este assunto para outro artigo…

Isso me fez pensar no seguinte: o que aprendemos jogando videogame? Existem diversas pesquisas acadêmicas sobre o assunto além de muitos livros. Mas eu queria saber na prática, das pessoas com quem mantenho contato, a resposta para esta pergunta.

Resolvi então perguntar nas redes sociais tendo em vista que 90% dos meus alunos e ex-alunos são dos cursos de Jogos Digitais além de manter contato com muitos profissionais da área de tecnologia e games e esperar os comentários livres e sinceros. E sabe o que descobri? O óbvio ululante, claro. Muita gente aprendeu e continua aprendendo com os videogames.

Aprender inglês domina o cenário…

Aprender inglês com games é quase unanimidade entre as pessoas que responderam a indagação e muitas pessoas relataram isso. Caleb Rossetti compartilha sua experiência assim: “aprendi inglês com videogames. Todas as expressões, gírias e grande parte do meu vocabulário e gramática vieram através de jogos de videogame e computador. É claro que a interação com outros jogadores também foi crucial para as gírias. O próximo passo seria aprender japonês com jogos, mas ainda não saiu”.

“Eu seria uma pessoa totalmente diferente, com certeza pra pior, se não tivesse ganho um Sega Genesis na infância”

Já Pedro Miranda também dá um depoimento sobre ter aprendido inglês com games e vai além: “aprendi inglês, em todos os aspectos. Aprendi a me entregar para uma experiência emocional e me sentir realizado durante o processo. Aprendi que pouco muitas vezes é melhor do que muito. Aprendi que é a mídia mais forte e conectiva com o ser humano de mente aberta uma vez que seja executada de maneira coerente com sua proposta. É seguro dizer que eu seria uma pessoa totalmente diferente, com certeza pra pior, se não tivesse ganho um Sega Genesis na infância”.

Para o pesquisador e professor Francisco Tupy os games influenciam a compreensão de mundo das pessoas, de modo que, se vistos como ciência, eles ampliam as relações com o conhecimento, permitindo uma nova maneira de aprendizagem e transformando, assim, a qualidade do ensino.

É interessante ver que, os mais diversos jogos ajudaram as pessoas a aprender inglês. Patricia Salomone conta que aprendeu inglês “muito por conta de Mário, Pokémon e Resident Evil, que são as franquias que mais joguei ao longo da minha infância e juventude, mas especialmente por conta de Pokémon. Foi um jogo que eu literalmente cresci jogando. Sempre me despertou muita curiosidade e consequentemente eu ia atrás de tentar entender o que tava acontecendo e também colava em prática o que havia aprendido”. Vale lembrar que em mais de 20 anos de Pokémon, muita coisa já foi dita, de convulsões em meados da década de 90 até moleque tentou vender a sua irmãzinha por um card raro de Pokémon. Estas histórias estão aqui.

Outros aprendizados

O game designer e artista 2D Raul Tabajara relata, sinceramente, desta forma: “sou um dos poucos que não aprendeu inglês porque eu via como uma barreira e não uma oportunidade e fugia de jogos de RPG. O meu primeiro Point and Click que joguei sem meu irmão do lado foi o Full Throttle em português… depois de anos. Eu tinha um MSX em 1980 e havia um software chamado Graphos III. Era um programa pra desenhar. Eu adorava passar horas desenhando naquele programa (e depois perdia tudo quando desligava o micro). Então, uma coisa que aprendi com videogames (o MSX pra mim era um videogame), foi arte digital. Se eu sei muito de pixel-art hoje, foi porque fiz muito no MSX. Contudo, eu não sei se o videogame tem que ensinar alguma coisa. Esporte não ensina nada, e no entanto tem sempre um dizendo que o esporte tirou a pessoa das drogas, fez dela uma pessoa mais completa. As vezes acho que diversão saudável pode ser muito mais que um aprendizado acadêmico”.

“Meu interesse por programação foi 100% motivado pelo desejo de fazer games eu mesmo”

Para o desenvolvedor e professor Everson Siqueira, o processo de aprendizagem sempre foi muito rico e conta que “jogando no meu Apple II, aprendi que seu eu tivesse paciência e usasse o dicionário inglês-português, ia me divertir muito. Isso se aplica também à época dos VHS predominantemente em som original, legendado. A localização de filmes e games veio trazendo mais inclusão – mas também trouxe a ilusão de que não é necessário (ou não vale a pena) aprender outro idioma (“logo logo lançam em português!”). E, definitivamente, meu interesse por programação foi 100% motivado pelo desejo de fazer games eu mesmo”.

E para fechar, Fabio da Silva Ferreira apresenta um outro olhar sobre o aprendizado com games, revelando que “o game StarCraft e sua curva de aprendizagem intensa, me ajuda muito no meu trabalho como analista de processos: tomada de decisões, administração de recursos, alta complexidade na movimentação de unidades, praticar diariamente para não perder a sequência de evolução… o jogo te puni drasticamente se você não interpreta as janelas de ataque. Enfim, Jogos de Estratégia em Tempo Real (RTS) deveriam ser disciplina obrigatória em escolas de negócio e análise de riscos”.

Depois que lancei a pergunta nas redes sociais, recebi muitas respostas e nem todas consegui inserir no texto. Espero ter a oportunidade de citar todos em outra oportunidade. Agradeço desde já a imensa colaboração.

E como podemos ver, os jogos ajudaram a definir o caminho profissional de muita gente e contribuem para sua formação até hoje. Este é um dos grandes poderes transformadores dos games.

E a pergunta continua aqui: o que você já aprendeu com games?

David de Oliveira Lemes (@dolemes) é professor do Departamento de Computação da PUC-SP. Consultor na área de educação e tecnologia. Leciona na FIAP, FECAP e Faculdade Impacta. Também edita o GameReporter. Gostaria de consultoria, palestra para sua empresa, evento ou instituição de ensino? Entre em contato.

As regras do jogo e os desafios da vida

Conhece as regras do jogo? Já parou para pensar como seria um jogo sem regras? Um jogo de videogame ou tabuleiro simplesmente sem nenhuma regra! Será que isso é possível? É sensato responder que não. Sem regras o jogo se transformaria em uma brincadeira ou simplesmente em uma bagunça (ou algo muito chato).

Se partirmos do pressuposto que o jogo é uma experiência interativa, podemos afirmar que as regras geram então a experiência de jogo. São justamente as regras que diferenciam os jogos de outros tipos de brincadeira. Podemos até dizer que os jogos são brincadeiras organizadas baseadas em regras, que tem autoridade dentro do contexto de jogo.

Mas qual a função das regras dentro dos jogos? Impor limites. As regras forçam caminhos específicos e determinados que seguem em busca de objetivos diversos e garantem que todos os jogadores tomem os mesmos caminhos pré-definidos. Elas nos colocam dentro do universo jogo apresentando os limites e mostrando o que está dentro e o que está fora destes limites.

Jogos são sistemas artificiais separados da vida real (apesar de muitas pessoas acharem que é a mesma coisa). E a autoridade das regras existe apenas dentro do contexto limitado do jogo, mesmo para os MMORPGs. E jogar um game significa submeter e aceitar as regras deste jogo livremente. Esta também é um condição de jogo: uma atividade livre e voluntária. Ou alguém por aqui já foi obrigado a jogar PS4 a noite inteira?

Regras do jogo e desafios

Os desafios são parte inerente dos jogos digitais não podendo existir jogo sem desafios. O jogo sem desafios seria uma simples brincadeira, assim como o jogo sem regras. Até a famosa brincadeira da Amarelinha tem lá seus desafios.

Em nosso dia a dia (do mundo real, ok?) somos o tempo todo levados a enfrentar os mais diversos desafios: o desafio do trânsito diário, o desafio de pagar as contas, o desafio de continuar os estudos… São obstáculos normais para a maioria das pessoas e porque não dizer, desafios diários. Seria algo como: acordei e apertei o botão start da vida.

Os games também funcionam da mesma forma. Ao começar uma partida qualquer, o jogador sempre irá se deparar com obstáculos, desafios e o conjunto de regras do game. E estes desafios são os mais variados e diferentes possíveis. E diversos destes desafios só serão vencidos com muito treino, habilidades já desenvolvidas ao longo dos anos e em muitas ocasiões você terá que perseverar, mudar estratégias e talvez até contar com a sorte.

Tudo isso, apesar de estar relacionado ao universo dos games, pode tranquilamente fazer parte da vida de todos nós, afinal, todos os dias somos apresentados a novos desafios e obstáculos. E para superar tudo isso, é preciso se adaptar-se sem quebrar nenhuma das regras mundo real.

“É chato chegar, a um objetivo num instante, eu prefiro ser, está metamorfose ambulante”. Raul Seixas.

A adaptação é a melhor forma de vencer os desafios. Adaptar-se ao ambiente onde os desafios são propostos, superar os obstáculos que aparecem no decorrer do percurso e sobretudo, seguir as regras presentes no ambiente sem nunca deixar quebrá-las ou burlá-las (sem falar nas leis, claro).

Imagine um jogo sem desafios e regras. Agora, imagine sua vida sem desafios e regras. Seria o mesmo que uma vida sem objetivos. Melhor nem imaginar.

Adapte-se, sigas as regras (conheça todas com antecedência) e vença todos os obstáculos e desafios. Seja nos games ou na vida real.

David de Oliveira Lemes (@dolemes) é professor do Departamento de Computação da PUC-SP. Consultor na área de educação e tecnologia. Editor do GameReporter e também leciona na FIAP, FECAP e Faculdade Impacta. Gostaria de uma palestra ou consultoria para sua empresa, evento ou instituição de ensino? Entre em contato.

O poder do headshot

Se você não está acostumado com o universo dos jogos digitais, vou explicar o título deste artigo. Headshot significa tiro na cabeça, uma expressão em inglês que é usada entre os jogadores de videogames para se referir ao tiro que acerta na cabeça do adversário durante o jogo.

Mas por favor, não se assuste com o termo, pois estamos falando de jogos digitais, ok? Este termo é utilizado pelos jogadores de games de tiro em primeira pessoa (FPS), representando assim o sucesso ao eliminar um alvo ou seu inimigo no jogo.

Entre os jogadores de videogames, isso tem um significado emblemático pois mostra destreza, muito treino e foco. Com isso quero dizer que, com o foco no treino constante, o jogador se torna mais eficiente e com um único tiro elimina o seu adversário. Portanto, o poder do headshot é sobretudo o foco.

Vamos falar então em foco, ok? Enquanto você lê este artigo, quantas abas estão abertas no seu navegador? Quantas mensagens estão chegando constantemente naqueles grupos de WhatsApp que você participa (e nunca manda nenhuma mensagem ou resposta)? E aqueles alertas dos grupos do Facebook que nunca param de chegar? Sem falar nas inúmeras mensagens de e-mail que para nada servem (SPAM e mais SPAM).

Nos dias de hoje, o foco é um fator cada vez mais complexo. A hiperconectividade, wi-fi onipresente e um computador multitarefa na palma da sua mão tornam cada vez mais difícil a tarefa de se manter o foco em suas atividades. Resultado? Você tem aquela sensação de ser cada vez mais improdutivo, pois existem muitos fatores e estímulos que roubam a sua atenção. A consequência disso é que você utiliza mal o tempo e acaba trabalhando mais.

Contudo, se pensarmos na situação onde o jogador de videogames elimina seu adversário com um headshot, temos a nítida impressão que ele está completamente focado em sua atividade, pois o gamer, em uma situação de jogo, está sempre focado.

Foco, determinação e headshot

Em uma rotina que muda a cada dia em função das novas tecnologias de informação e comunicação, ser eficiente em suas atividades diárias é fundamental. E isso não se aplica apenas ao ambiente de trabalho e sim na vida, seja no âmbito familiar, pessoal e profissional. Se neste momento você pensou em ócio criativo, vamos deixar este assunto para outro artigo, ok? 😉

A incessante busca por novidades, notícias e estímulos externos roubam nossa atenção. Faça um teste hoje mesmo: ao acordar e antes mesmo de escovar os dentes e tomar café da manhã, quantas vezes você checa o seu smartphone? Pesquisas indicam que isso acontece, no mínimo, 3 vezes. Não estou fazendo aqui apologiza ao não uso das novas tecnologias, mas devemos usá-las da melhor maneira possível para que não sejam prejudiciais à nossa vida. Tenha determinação em manter o foco.

Não seja escravo do seu smartphone!

Daniel Goleman, autor do livro Foco, diz que a informação consome a atenção de quem a recebe. Eis por que a riqueza de informações cria a pobreza de atenção, e continua afirmando que a nossa capacidade de impedir as distrações digitais é diminuída pela exaustão cognitiva, que envolve a atenção e a percepção. Sem encontrar maneiras de se manter focado, não podemos deixar de ficar distraídos.

No ambiente acadêmico isso é muito comum. Orientadores, em geral, sempre dizem e repetem para seus orientandos: – “É preciso focar em sua pesquisa”. Esta atenção total ao tema, aliada à determinação pessoal do acadêmico é que trará um bom resultado de pesquisa, seja ela um TCC, uma Iniciação Científica, um Mestrado ou Doutorado.

Além de ser contemporânea, esta é uma questão emergente. Manter o foco é fundamental. Mas como se manter mais focado em um ambiente cada vez mais caótico? É simples: elimine as distrações em sua rotina diária. Assim como o gamer, procure fazer uma única atividade de cada vez, com foco total nela.

Tenho plena certeza que, ao eliminar as distrações e manter o foco em uma única atividade por vez, sua produtividade aumentará. E assim, acertar aquele headshot naquela sensação de improdutividade.

Se você gostou de tema, não deixe de ler o livro “Foco” de Daniel Goleman.

David de Oliveira Lemes (@dolemes) é professor do Departamento de Computação da PUC-SP. Consultor na área de educação e tecnologia. Editor do GameReporter e também leciona na FIAP, FECAP e Faculdade Impacta. Gostaria de uma palestra ou consultoria para sua empresa, evento ou instituição de ensino? Entre em contato.